
Gestão de Risco em Museus
No biénio 2024/2025 o ciclo de formação foi composto por três ações que decorreram em diferentes museus, tendo incidido sobre conceitos de base em Gestão de Risco e, no caso particular da Prevenção e Atuação em Emergência relacionadas com Cheias, Incêndio, Sismo, Intrusão e Vandalismo.
Local
Museu de Mértola, Mértola.
Formadores
Alexandre Martins
Engenheiro técnico eletrotécnico. Atualmente é Coordenador de Sustentabilidade, na Direção de Espaços da Museus e Monumentos de Portugal, EPE. Tem vasta experiência na atividade de projetista e consultor em segurança contra riscos de incêndio em edifícios, instalações elétricas, de telecomunicações e de segurança integrada.
Integrou equipes na especialidade de SCIE (Segurança Contra Incêndios em Edifícios) em projetos para construção nova e reabilitação de diversos edifícios culturais, nomeadamente Museus em Portugal (MAC da Fundação de Serralves) e outros países como: Brasil (Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre e Instituto Moreira Salles, em São Paulo); Suíça (Centre de Recherche et de Conservation des Collections Archéologiques, Paléontologiques et des Sciences Naturelles du Canton du Jura– trabalho em curso); Itália (Piazza Garibaldi, em Cantú e Metro de Nápoles, Museu e ruínas arqueológicas); Geórgia (consultadoria para Georgian National Museum); Iraque (Alshaab Stadium, em Bagdá); China (MoAE, em Ningbo) e Coreia do Sul (Art Pavilion, em Saya Park).
É membro de organizações profissionais nacionais e internacionais, nomeadamente: Ordem dos Engenheiros Técnicos, desde 1992; National Fire Protection Association (NFPA) | Architects, Engineers, and Building Officials (AEBO), desde 2005 e Society of Fire Protection Engineers (SFPE), desde 2017.
Esmeralda Paupério
Engenheira civil e, atualmente, vogal da Direção da Museus e Monumentos de Portugal. Integrou o Núcleo de Reabilitação do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, desenvolvendo atividade nas áreas da inspeção, diagnóstico e de intervenções de âmbito estrutural, em particular na área do património cultural imóvel.
Tem trabalhado na área de gestão de riscos do património cultural móvel e imóvel, tendo sido convidada pela UNESCO para dar formação nesta área na Albânia, Líbano, Macedónia e nos PALOP em associação com a Escola do Património Africano.
É membro do ICOMOS Portugal, membro do Comité Internacional para a Preparação para o Risco (ICORP) do ICOMOS, membro da UNESCO Roster for Culture in Emergencies. Integrou a missão conjunta do ICOMOS/ICORP, ICCROM e Smithsonian Institute a Catmandu após o sismo de 2015.
Joana Amaral
Licenciada em Conservação e Restauro (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) e mestre em Museologia (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa). Desde dezembro de 2023 é responsável pela conservação preventiva no Laboratório José de Figueiredo (Museu e Monumentos de Portugal). Esteve anteriormente na Parques de Sintra Monte da Lua como responsável pela conservação preventiva (2012-2023) e no Museu Nacional de Etnologia como responsável pela Área de conservação e Restauro (2000-2011).
Os seus interesses profissionais incluem a conceção e implementação de normas e procedimentos de conservação preventiva, a circulação de bens culturais móveis e a conceção e implementação de projetos para melhorar as condições de bens culturais em reservas museológicas.
Mário Ferreira
Subchefe no Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e é coordenador do Núcleo de Incêndios e Prevenção. Integrou o primeiro grupo de formadores certificados em Portugal pelo grupo TANTAD na formação, investigação e desenvolvimento do comportamento extremo do fogo, com o curso de “Controlo de Flashover”.
Ao longo da sua carreira desempenhou as funções de responsável da Unidade Cinotécnica de Resgate do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (2010–2018), em acumulação com a função de formador da Escola do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Especializou-se na área das substâncias perigosas como formador, tendo completado em 2010 o 3º Curso de Defesa NBQ da escola prática de Engenharia do Exército Português. No âmbito da formação e ensino foi instrutor de vários cursos de especialização para bombeiros, civis, militares e forças de segurança, em território nacional e no estrangeiro e participa regularmente na formação inicial para bombeiros sapadores. Em 2022 inicia formação no projeto “Proculther”, inserido no mecanismo europeu de proteção civil, no âmbito da proteção do Património Cultural e Histórico.
Mathias Tissot
Bacharel em Conservação e Restauro pela Escola Superior de Conservação e Restauro (1998) e mestre em Conservação e Restauro pela Escola Superior de Tecnologia de Tomar, Instituto Politécnico de Tomar (2010).
Desde fevereiro de 2024, é coordenador de Boas Práticas na Direção de Coleções da Museus e Monumentos de Portugal. Foi responsável na empresa Archeofactu - Arqueologia e Arte pela conservação e restauro de bens arqueológicos, acervo metálico e consultor em conservação preventiva, de 2021 a 2023. Entre 1999 e 2012, foi responsável pelo Laboratório de Conservação e Restauro do Museu Nacional de Arqueologia. Desde 2007, participa como formador em diversas ações de formação promovidas pela Rede Portuguesa de Museus.
Xavier Romão
Engenheiro civil e Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Desenvolve atividade científica na área da avaliação do risco para múltiplos perigos com aplicações, em particular, a património cultural imóvel e móvel.
É vice-presidente do Comité Internacional para a Preparação para o Risco (ICORP) do ICOMOS (International Council on Monuments and Sites), membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica, membro da UNESCO Roster for Culture in Emergencies, e membro da Structural Extreme Events Reconnaissance (StEER) Network.
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Programa de Formação
12 novembro
9h30-10h30 | Receção aos formandos
10h30-12h30 | Xavier Romão
- Introdução à gestão de riscos: Ciclo de gestão de riscos. Perceção e comunicação do risco. Perigos e perigosidade. Exposição aos perigos
- Componentes de um plano de gestão de riscos: Componentes do plano associadas aos riscos do edifício. Componentes do plano associadas aos riscos das coleções. Enquadramento de situações de exceção. (exposições temporárias, eventos não regulares, obras). Enquadramento de situações de emergência. Fichas de priorização de evacuação de bens móveis.
14h30-16h15 | Esmeralda Paupério
- Inspeção de edifícios e ações de manutenção: Introdução às diferentes tipologias construtivas e materiais de construção. Prevenção de riscos associados à vulnerabilidade do edifício. Manutenção preventiva. Intervenções de urgência. Sinais de alerta relacionados com a segurança estrutural. Organização espacial de bens móveis em função da vulnerabilidade do edifício
16h30-17h30 | Exercício prático
13 novembro
9h30-11h00 | Mário Ferreira
- Intervenção da Proteção Civil/Bombeiros em emergência em património cultural: Procedimentos gerais da Proteção Civil/Bombeiros em situações de emergência. Procedimentos específicos da Proteção Civil/Bombeiros em situações de emergência de incêndio: condições particulares para emergências em património cultural.
11h15-12h45 | Alexandre Martins
- Medidas de prevenção e mitigação de risco de incêndio para património cultural: Sistemas para deteção de incêndio. Sistemas para combate a incêndio. Medidas de proteção contra incêndio.
14h30-16h15 | Matthias Tissot e Joana Amaral
- Planeamento de atuação em emergência em património cultural: Ações e protocolos para prevenção de incêndio: planeamento preliminar, diagnóstico de coleções, capacitação de equipas, simulações e articulação com atores externos. Ações e protocolos durante situações de emergência e/ou sinistros: orientações gerais para segurança de vidas e acervos. Ações e protocolos pós-incêndio: diagnósticos de situação, planeamento de intervenções e manejo de danos. Reflexões e planeamentos de médio e longo prazo após um incêndio
16h30-17h30 | Exercício prático: Critérios que devem integrar uma ficha de priorização de diferentes tipos de património móvel para um cenário de incêndio.
14 novembro
10h30-12h30 | Esmeralda Paupério, Mário Ferreira e Matthias Tissot
- Simulacro
14h30-17h00 | Esmeralda Paupério, Mário Ferreira e Matthias Tissot
- Análise e discussão do simulacro
17h00-17h30 | Avaliação da formação
Testemunhos
Gostei muito do teor da formação, profissional e cheia de informação, mas suficientemente descontraída. Não se tratando de um ponto a melhorar mas tão-só de um comentário, teria sido importante que, no simulacro, todos os membros das equipas tivessem contactado com os ambientes recriados no interior do museu e, de alguma forma, passado pelas várias etapas implementadas. De outra forma, há muitos pormenores que nos escapam.
Antes de partir para o simulacro com bombeiros, talvez se pudesse debater melhor o que se faria em cada situação, sobretudo para quem nunca fez formação nesta área. Ou seja, realizar exercícios em equipa "simulando" as fases e necessidades de uma situação real, para que cada pessoa pudesse refletir sobre as diferentes questões e não estar apenas afeta a um papel (segurança, embalamento, etc.).
Pontos fortes: Temas bem selecionados e comunicações bem organizadas, claras e sucintas no geral, apresentadas por profissionais com conhecimento. Simulacro realizado com profissionalismo. Bom ambiente de trabalho. Pontos que poderiam melhorar: Gostaria que a parte prática tivesse sido mais longa e que tivesse havido mais tempo para fazer o balanço do que foi feito. Seria interessante lançarem um grupo de trabalho sobre gestão de riscos em museus para troca de experiências e informação de quem já implementou um plano ou já lidou com uma situação de risco no seu museu.
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